Agora elas aparecem, cheias de brilhos nos olhos e de segundas intenções, eu vejo muito mais daqui de cima e elas nem sabem, sentado nesse banco velho nesse mine palco eu aperto seis cordas com cinco dedos e olho bem fundo do seus corações vazios dependurados nessas cadeiras, enxergo quase todos seus movimentos enquanto bebem e ajeitam os cabelos, a linha entre o prazer e o perigo é tênue quando elas mexem nos cabelos, loiras,morenas, ruivas, cabelos curtos longos, crespos e chapados, como são belos esses movimentos lentos ao sons das minhas canções ignoradas. E agora não quero que elas venham com esses olhares de fundo de bar, lábios de malte 12 anos. Procurem por mim quando as luzes apagarem e o garçom limpar o balcão, embrulhe seus desejos em um guardanapo úmido o e me entregue amanha de manha na beirada de minha cama, depois que já estiverem cansadas de ficar debaixo dos cobertores, embrulhem junto a esses maços de Luke Strike sabor menta e acorde ao meu lado, que eu já estou terminando o ultimo acorde.
Ode ao ócio
Baby, sabe quando voce se encontra naquele lugar que você realmente queria estar? Fazendo exatamente o que queria fazer? seja parado frente a um jornal lendo fotos e admirando noticias, seja escorado no muro esperando os carros passarem, seja numa janela no alto do edifício onde trabalha admirando o transito e os corvos no alto da via expressa. Se eu tivesse asas iguais as deles o que eu mais poderia fazer além de voar? se eu tivesse olhos iguais aos deles eu enxergaria além da relva? se eu estivesse do seu lado eu jamais te soltaria, esmagaria seu cheiro de orvalho e poeira com meus braços e minha barba por fazer, eu tenho marcas de expressões cada vez mais largas na ponta dos meus olhos, eu estou velho demais pra me sentir jovem assim contigo, nada pára, tudo é movimento e tudo está desmoronando assim como a vida em nossa volta, não vamos deixar passar assim como os corvos passam despercebidos, escore-se na janela comigo, sinta a brisa e a fumaça, entenda os pontos extremos, podemos ser o Yin e o Yang, o John e o Paul e tudo mais o que você quiser ser, em breve você vai perceber isso.
mais da mesmice de sempre só que como nunca.
Amanhecendo encasulado, entre eletrônicos e algum novo apetrecho acolchoado, arrastando pes descalços dentre ao po enquadrado em um quatro por quatro. Leio noticias, propicias de um dia comum, “indice de produção aumenta um” ou talvez “dois” no percentual que interessa a poucos, fico calculando quantas vezes leio esse tipo de coisa e continuo não me interessando por numeros. “milhares se reunem no japão pra pedir prosperidade” alguns se perguntam: “pedir ajuda pra quem nos mandou um terremoto?” e mais alguns anonimos morrem em um “atentado aos Xiitas”. Sigo escorado na rotina, sentado frente ao pão e a manteiga de sempre, as vezes nem paro pra sentir o gosto, nem vejo que a massa de hoje está mais fresca que a de ontem, é o que dizem, “piloto automático” é mais pragmatico assim, as vezes me faz pensar muito em ser um monge budista, conseguir sentir energia com os pes na grama, não sentir dor e raspar a cabeça recitando um mantra.”Vaidades que a terra um dia a de comer” lembro de letras e pensamentos vagos, vagas em estacionamento e naquele hotel, que poderia ser o nosso, assim como esse texto poderia ser seu e fazer mais sentido se você o lesse… é você mesma, com seus cabelos curtos e loiros sentada ai em meio a taças dependuradas e porta-retratos da sua infancia, você e seus oculos tristes e os olhos enormes de sempre. Encoste o cotovelo naquele movel e fique se perguntando enquanto eu continuo aqui, na rotina e indiferente quanto aos Xiitas, se impressione no quanto que o quão mais vago forem as palavras mais sentido você encontra nelas. Continue por aqui, a little while sente-se cruze suas pernas que tenho mais a lhe contar
Coquetel de hipocrisia, eu me emociono com Dagonet e a última do Cash
La vem eles com os armanis armados até os dentes de assuntos entediantes e sorrisos sem nicotina, elas riem feito hienas ao verem o tilintar das taças e das chaves do mercedez estacionado pelo manobrista la fora. acabei de encostar meu violão la atras no palco, achei o lugar mais escuro pra me sentar e assistir daqui, esse espetaculo entediante, a febre e o mal estar me privando dos Labels passando em minha frente, nem ligaria pra isso se nao tivesse que cantar lucidamente pra meia centena de pessoas entediantes depois.
arranjos de flores em neon, camuflavam a presença dela que eu via ao longe encostada no balcão. meus olhos marejados queriam enxergar algo assim, eram os 40° graus de febre falando por mim. Comida árabe ou algo asiático era servido a todos e de tempos em tempos passavam por mim também:
“Bolinho primavera senhor?”
“o quê?”
” é parecido com um pastel com recheio de repolho”
“não obrigado”
E continuava ali sozinho esmagado na multidão, eu e meu copo de água morna e a febre mantendo a visao no balcão, o cerimonial anuncia os premios me oferecem quibe cru com cobertura de iogurte natural e nao tenho escolha, pra me manter em pé e cuspir alguns acusticos aqui pra alegria dos armanis.
Champagnes franceses e doses cavalares de repolho e massa, mantem quase no nivel de um espetaculo, ate luzes de neon ditavam meu ritmo e a febre mantinha as vertigens, no fundo apenas rezava pra acabar depressa, sair daquele buraco na high society, na hipocrisia highway, mentindo pra eles e recebendo de volta em elogios embriagados, garçons cortinas e arranjos embaçados, area de fumantes e saidas de emergencias, Deus me arda em febre mas acabe com essas visões. Umas duas horas e meia assim, “garçon fecha pra mim” cumprimentos, violão nos ombros volante e casa.
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Hoje assisti novamente o Rei Artur e me deu uma puta saudade da época em que esses filmes medievais eram bons, Coraçao Valente, gladiador e outros que nao me lembro. Não por isso nem pelos Oscar’s mas por exemplo, pela cena em que o Dagonet dá a sua vida pra quebrar o gelo e matar uma pá de Saxões, claro que nao faria o mesmo por amigos meus eu imagino, mas é uma coisas que eu acho foda pra caralho, que nao veremos em dias de hoje.
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e agora no fim da noite bateu uma puta vontade de ouvir Cash, aquela ultima que ele fez que fala de arrependimentos e de pessoas que vão embora, igual o Dagonet. Enfim…
Enquanto tempo não da as caras pra eu poder postar alguma coisa aqui, segue um bom rock n roll de sempre
essa quase desconhecida
O timbre do Bruce cai bem pra qualquer hora
Continuar lendo4 minutos
Seja em casa, na varanda
na praça ou no terraço
se esta vazio, ou lotado
te olho de longe e encaro
corro os olhos por cada milímetro
de seus traços firmes
desejo esse seu sexapeall raro
lhe apoio no chão,
Fecho os olhos e abro o zíper
as luz escurece, e o frio nos aquece
suavemente agarro seu corpo, me sento torto
entre minhas pernas, no colo devagar se encaixa
eu uso os dedos
em movimentos frenéticos, atrito épico
lhe acariciando de cima a baixo, sussurrando em melodias
você responde com um gemido sinfonico em perfeita harmonia
suor na tez, mais uma vez
tudo se intensifica, nessa sincronia rítmica
corpos, copos e focos embaçados
agarro bruto teu braço, bato
aperto e lhe mostro quem realmente manda
tesão contido e conduzido em alguns 4 mintuos
essa é a média, 4 minutos
encerro lentamente, ouvindo o som do orgasmo se abaixando
quase posso ouvir aplausos em minha volta
abro os olhos e te encaro de volta com olhar agradecido
obrigado violão.
a última
As vezes o tempo cura
as vezes ele alimenta, ele tras tudo de volta junto com o sussurro das letras do seu nome
as vezes, tudo some
como cada pedaço de papel que joguei no vento
as vezes o tempo para, estacionado em lembranças, toques e dedos a luz amareladas de postes
quando voltavamos pra casa
as vezes Deus puxa minha mão pra voltar pro rumo
as vezes eu caio na real que ja estraguei tudo
as vezes tudo assim só na minha cabeça
as vezes acontece com todos
com Deus e o mundo
As vezes pessoas ouvem essas historias e desdenham
preferem o mal alheio
as vezes o tempo corre, joga os cães pra frente da sua casa
me joga para a mesma rua
Levindo batista, “ela cansou de chorar”
as vezes eu so quero uma ultma vez
frente a frente pra variar,
as vezes é a unica coisa que resta.
eu acredito mais no Alan Moore e em um poema
é facil pra alguns sentarem e escreverem quilos e mais quilos de resenhas pra estes malucos que aparecem por aí, desses que por um dia tomam as redeas dos fetiches inibidos desde criança e sequestram a ex-namorada pra ter um pouco de atenção, puxam o gatilho por falta de instrução e talvez umas garrafas e uns tecos a mais, é facil falar que um recem ex-adolescente, que talvez não tinha café da manha quando acordava e o pai nao o levava ao shopping e comprava sorvete misto expresso, foi influenciado por uma religião a entrar numa escola e disparar pra todo lado. Vendo canais e comerciais e com o traseiro no sofá eu não vejo nada mais do que isso, sinceramente acredito mais no Alan Moore e na Piada Mortal “a diferença entre um maluco e uma pessoa comum é apenas um dia ruim” quiçá estes que tem todos os dias da vida ruins, esses que não sabem nem o que é ser abandonado pois nunca tiveram ninguém e vai haver aqueles que virão aqui esculachar, dizer que to do lado do Coringa, mas não, só quero deixar bem claro que reclamar da segurança, criticar os pms corruptos e credenciar o islamismo la do outro lado do mundo é facil, mas prever o dia ruim de milhoes de abandonados não é uma ciencia exata.
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Apenas um poema atrasado pra complementar esse momento meio “política de bar”
Com o leve peso do disparo, teve o controle de seus problemas por mais tempo do que esperava
Quantos decibéis medem um disparo?
qual seria o peso?
30 decibéis, impossível calcular em quilos?
as pessoas correndo e corredores, escorregões e gritos
misturados feito uma bolsa de valores
valores morais
agora aqui com esses dois canos nas mãos
esses 10 ou 15 minutos você está no controle
com esses 20 ou 30 decibéis dando ordens
alguns aí perdem 21 gramas
já li em algum filme que esse seria o peso da alma
30 decibéis seria apenas um empurrão, pra um parapeito talvez
você viu crianças rastejando em sua frente
com a medida nos olhos marejados
garanto que isso te assustou mais
mais do que o policial atras
balaço nas pernas foram o que disseram nos jornais
suicídio póstumo
isso pra não falar que com 30 decibéis acertaram suas 21 gramas bem atras da nuca
você está mais leve agora.
não tem mais o controle
nem eles.
Repost
Folheando textos antigos resolvi repostar esse aqui
Espadilha por ás de espadas
Alguns cabos eu pluguei no cabeçote velho do bar, ajeitei a afinaçao com meu ouvido gasto – gasto de Lennon a Lou Reed – me exprimi na cadeira pequena e mandei quatro acordes abertos, bem levados com um barulho trastejante, na quinta casa talvez, até sua casa maybe, talvez pra você baby. Foi você quem me disse uma vez, sentada na varanda com as costas no meu poster do Hendrix, “essas suas palavras soam melhor quando são cantadas“. De que adiantou se quando o fiz você não estava lá? Agradeço ao microfone e atendo à pedidos, as vezes nego, vejo nos olhos deles que nem ligam, querem mesmo é que eu vá embora, é assim com todos. “amanhã talvez, faça algum sentido” diz a canção, eu respondo – para o violão talvez – que será o mesmo de sempre, o mesmo de sempre em um copo de bebida, em um guardanapo rasgado por um número de telefone, um prato vazio e cabeças cheias pendendo das cadeiras. Suor na minha testa, cansaço da minha tez, alguns bebados fracassados vem me contar sobre suas vidas “eu tambem tocava quando era jovem” eles dizem, não veem que eu sou a mesma coisa que eles, a unica diferença é o lugar, alguém tem que fazer o que eu faço e outro alguém tem que dizer o que eles dizem, tudo tem seu ponto de equilibrio.
Sujeito a rimas pra uma balada em São Paulo
como gastei sapatos me parelhando entre ruas enormes da capital
correndo debaixo dos predios com ingressos na mão
disperso em vitrines e pessoas diferentes daqui, terra natal
via fumaça nas vias, coca nas veias e coca em copões
na via expressa, via de dia as curvas suas e a fumaça seguia
ali nas janelas de um cinema rustico, palavras suas me lembravam quem te quis
ali no asfalto eu seguia perdido, informaçoes eu queria, so perguntar “o que eu fiz?”
galeria do rock, galeria disso e galeria daquilo, 25 de março em algum lugar de abril
avenida paulista, e na pista a fumaça seguia, levando o frio
e como eu gastei sapatos, e vi ate porta retratos, que no futuro me questionaria
nao procurei, mas la de baixo a lua com certeza nao se via
no hotel nem tempo tive de brindar a viagem, as poucas horas ja me empurravam
e empurravam a gastar mais solas, “serviço de quarto” ,”matinê”
comparar as belas à você e aqui assim assumir saudades por assim dizer
a noite no morumbi, a acustica eu anotei na mao, pra esquecer
e te mostrar depois, os acordes seus e que eu acorde cedo pra esclarecer
essas minhas rimas, e entender os seus 15×8 pra ver.
