Arquivo da categoria: Pseudo contos e poemas

Bêbados e lascivos de tanto batom

Era uma fogueira junina em julho e eles fumavam maconha ao redor da árvore com uns chapéus de palha. Pesquei mais algumas cervejas antes que a ponta dos meus dedos congelassem, afastei os cães com os pés e disse bem baixinho no ouvido daquela desconhecida, enquanto alguns dançavam bêbados de tanto batom:

” vamos sair à francesa”
Agarrei-a pelo braço e liguei o Cadillac, peguei a estrada e parei o mais rapido que pude, senti seu queixo por entre minhas coxas e seus olhos me fitavam as vezes enquanto seus brincos me arranhavam, sua boca era quente e lúbrica feito um poema do Bukowski, podia enxergar os versos tristes e sádicos no movimento de sua língua e dentes, se engasgando naquele vem e vai  com seus próprios cabelos. Alguns solitários passavam e olhavam por sob o vidro embaçado, queria que alguém assistisse, a empurrava de quatro virada pro banco de trás enquanto assistia o transito balançar ao longe na cidade grande, balançava e balançava. Balançava junto ao movimento de sua cintura e sua nuca,  um poste se apagou e dava pra ver melhor a cor da sua bunda pelo reflexo do painel, transpiramos calor e amor de Nelson Rodrigues num frio abaixo de zero.  Ainda disse algumas coisas que não me lembro, dessas coisas que você só diz depois que goza na boca de alguém. Dormi ali mesmo e acordei sozinho na minha cama sem saber como.

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cópulas e 1 copo d’água para 2 corpos tristes.

e de repente, estava feito, as luzes apagadas e um pedaço do brilho amarelado dos postes la de fora atravessava a grande janela com grades e  dava formas ao quarto, roupas, sapatos e embalagens jontex misturados ao lençol no chão a garrafa pela metade, um único copo e dois estranhos íntimos misturados na cama. Silencio, paz, solidão, nuca, cabelos e respiração. eu poderia assistir a isso fumando um cigarro se eu tivesse esse vício, eu poderia não ir embora se não estragasse tudo quando abro a boca. Me sento na cama sem fazer barulho enquanto você me diz algo sobre seus sonhos e de como acorda no meio da noite e de como diz coisas sem sentido quando esta dormindo. agarro pela cintura, te toco devagar e tento mais uma vez antes de ir,  tudo é tão rapido e quente que não vai sair da memoria tao cedo, que ainda fara parte das historias na mesa de bar com meus amigos.  Acordo com as mãos no volante, estou a 45km de  casa guiado por Springsteen enquanto você acorda sozinha no meio da noite novamente, apenas tranque a porta eu esqueci aberta.


brilham os corpos e brindam os copos

Agora elas aparecem, cheias de brilhos nos olhos e de segundas intenções, eu vejo muito mais daqui de cima e elas nem sabem, sentado nesse banco velho nesse mine palco eu aperto seis cordas com cinco dedos e olho bem fundo do seus corações vazios dependurados nessas cadeiras, enxergo quase todos seus movimentos enquanto bebem e ajeitam os cabelos, a linha entre o prazer e o perigo é tênue quando elas mexem nos cabelos, loiras,morenas, ruivas, cabelos curtos longos, crespos e chapados, como são belos esses movimentos lentos ao sons das minhas canções ignoradas. E agora não quero que elas venham com esses olhares de fundo de bar, lábios de malte 12 anos. Procurem por mim quando as luzes apagarem e o garçom limpar o balcão, embrulhe seus desejos em um guardanapo úmido o e me entregue amanha de manha na beirada de minha cama, depois que já estiverem cansadas de ficar debaixo dos cobertores, embrulhem junto a esses maços de Luke Strike sabor menta e acorde ao meu lado, que eu já estou terminando o ultimo acorde.


Ode ao ócio

Baby, sabe quando voce se encontra naquele lugar que você realmente queria estar?  Fazendo exatamente o que queria fazer? seja parado frente a um jornal lendo fotos e admirando noticias, seja escorado no muro esperando os carros passarem, seja  numa janela no alto do edifício onde trabalha admirando o transito e os corvos no alto da via expressa. Se eu tivesse asas iguais as deles o que eu mais poderia fazer além de voar? se eu tivesse olhos iguais aos deles eu enxergaria além da relva? se eu estivesse do seu lado eu jamais te soltaria, esmagaria seu cheiro de orvalho e poeira com meus braços e minha barba por fazer, eu tenho marcas de expressões cada vez mais largas na ponta dos meus olhos, eu estou velho demais pra me sentir jovem assim  contigo,  nada pára, tudo é movimento e tudo está desmoronando assim como a vida em nossa volta, não vamos deixar passar assim como os corvos passam despercebidos, escore-se na janela comigo, sinta a brisa e a fumaça, entenda os pontos extremos, podemos ser o Yin e o Yang, o John e o Paul  e tudo mais o que você quiser ser, em breve você vai perceber isso.


mais da mesmice de sempre só que como nunca.

Amanhecendo encasulado, entre eletrônicos e algum novo apetrecho acolchoado, arrastando pes descalços dentre ao po enquadrado em um quatro por quatro. Leio noticias, propicias de um dia comum, “indice de produção aumenta um” ou talvez “dois” no percentual que interessa a poucos, fico calculando quantas vezes leio esse tipo de coisa e continuo não me interessando por numeros. “milhares se reunem no japão pra pedir prosperidade” alguns se perguntam: “pedir ajuda pra quem nos mandou um terremoto?” e mais alguns anonimos morrem em um “atentado aos Xiitas”. Sigo escorado na rotina, sentado frente ao pão e a manteiga de sempre, as vezes nem paro pra sentir o gosto, nem vejo que a massa de hoje está mais fresca que a de ontem, é o que dizem, “piloto automático” é mais pragmatico assim, as vezes me faz pensar muito em ser um monge budista, conseguir sentir energia com os pes na grama, não sentir dor e raspar a cabeça recitando um mantra.”Vaidades que a terra um dia a de comer” lembro de letras e pensamentos vagos, vagas em estacionamento e naquele hotel, que poderia ser o nosso, assim como esse texto poderia ser seu e fazer mais sentido se você o lesse… é você mesma, com seus cabelos curtos e loiros sentada ai em meio a taças dependuradas e porta-retratos da sua infancia, você e seus oculos tristes e os olhos enormes de sempre. Encoste o cotovelo naquele movel e fique se perguntando enquanto eu continuo aqui, na rotina e indiferente quanto aos Xiitas, se impressione no quanto que o quão mais vago forem as palavras mais sentido você encontra nelas. Continue por aqui, a little while  sente-se cruze suas pernas que tenho mais a lhe contar


Coquetel de hipocrisia, eu me emociono com Dagonet e a última do Cash

La vem eles com os armanis armados até os dentes de assuntos entediantes e sorrisos sem nicotina, elas riem feito hienas ao verem o tilintar das taças e das chaves do mercedez estacionado pelo manobrista la fora. acabei de encostar meu violão la atras no palco, achei o lugar mais escuro pra me sentar e assistir daqui, esse espetaculo entediante,  a febre e o mal estar  me privando dos Labels passando em minha frente, nem ligaria pra isso se nao tivesse que cantar lucidamente pra meia centena de pessoas entediantes depois.

arranjos de flores em neon, camuflavam a presença dela que eu via ao longe encostada no balcão. meus olhos marejados queriam enxergar algo assim, eram os 40° graus de febre falando por mim. Comida árabe ou algo asiático era servido a todos e de tempos em tempos passavam por mim também:

“Bolinho primavera senhor?”

“o quê?”

” é parecido com um pastel com recheio de repolho”

“não obrigado”

E continuava ali sozinho esmagado na multidão, eu e meu copo de água morna e a febre mantendo a visao no balcão,  o cerimonial anuncia os premios me oferecem quibe cru com cobertura de iogurte natural e nao tenho escolha, pra me manter em pé e cuspir alguns acusticos aqui pra alegria dos armanis.

Champagnes franceses e doses cavalares de repolho e massa, mantem quase no nivel de um espetaculo,  ate luzes de neon ditavam meu ritmo e a febre mantinha as vertigens, no fundo apenas rezava pra acabar depressa, sair daquele buraco na high society, na hipocrisia highway, mentindo pra eles e recebendo de volta em elogios embriagados, garçons cortinas e arranjos embaçados, area de fumantes e saidas de emergencias, Deus me arda em febre mas acabe com essas visões. Umas duas horas e meia assim, “garçon fecha pra mim” cumprimentos, violão nos ombros volante e casa.

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Hoje assisti novamente o Rei Artur e me deu uma puta saudade da época em que esses filmes medievais eram bons, Coraçao Valente, gladiador e outros que nao me lembro.  Não por isso nem pelos Oscar’s mas por exemplo,  pela cena em que o Dagonet dá a sua vida pra quebrar o gelo e matar uma pá de Saxões,  claro que nao faria o mesmo por amigos meus eu imagino, mas é uma coisas que eu acho foda pra caralho, que nao veremos em dias de hoje.

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e agora no fim da noite bateu uma puta vontade de ouvir Cash, aquela ultima que ele fez que fala de arrependimentos e de pessoas que vão embora,  igual o Dagonet. Enfim…


4 minutos

Seja em casa,  na varanda

na praça ou no terraço

se esta vazio, ou lotado

te olho de longe  e encaro

corro os olhos por cada milímetro

de seus traços firmes

desejo esse seu sexapeall raro

lhe apoio no chão,

Fecho os olhos e abro o zíper

as luz escurece, e o frio nos aquece

suavemente agarro seu corpo, me sento torto

entre minhas pernas, no colo devagar se encaixa

eu uso os dedos

em movimentos frenéticos, atrito épico

lhe acariciando de cima a baixo, sussurrando em melodias

você responde com um gemido sinfonico em perfeita harmonia

suor na tez, mais uma vez

tudo se intensifica, nessa sincronia rítmica

corpos, copos e focos embaçados

agarro bruto teu braço, bato

aperto e lhe mostro quem realmente manda

tesão contido e conduzido em alguns 4 mintuos

essa é a média, 4 minutos

encerro lentamente, ouvindo o som do orgasmo se abaixando

quase posso ouvir aplausos em minha volta

abro os olhos e te encaro de volta com olhar agradecido

obrigado violão.