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A mesma da qual já citei antes

Garota dos olhos grandes, já mencionei aqui antes,  certa vez a levei pra sair, era uma pizzaria e as massas desciam das bandejas dos garçons e os nossos amigos falavam e falavam de qualquer coisa sobre a vida la fora, pouco sabia da garota do meu lado, “a guria” como o gaúcho dizia,  mas já dizia bem de longe pra mim mesmo ,  que aqueles cachos loiros e os olhos grandes não haviam sido feitos pra mim, não havia possibilidade de despir aquela minha timidez e penetrar  naquele vigor que saltava nos seus gestos e eu a fitava por entre as pernas, aquela atmosfera suave que deixa nosso membro em estado de pré-ebulição, que só garotas como ela nos proporciona,  tudo o que me sobrava era alguns leves despejos de olhar com o canto dos olhos, sabe qual é? tentando adivinhar os pensamentos nas entrelinhas de alguns sorrisos maliciosos que vez ou outra apareciam, os lábios  calados davam a voz aos seus olhos, que na minha mente diziam “posso ser sua essa noite”  se você respira meu amigo, você sabe do que eu to falando. E as cervejas nos copos se esquentavam mas,  minhas atitudes não,  dava pra ouvir de longe o jeito suave como ela se comunicava com os demais e eu sentia no meu estomago cada leve toque eu dava em seu braço com meu cotovelo, meio que por querer, meio que sem querer (que infantil alguns vão dizer)  não dou a minima, a vontade é de contato, é físico mermão,  aquilo pra mim fazia parte do jogo e o jogo é pra ser jogado devagar e quanto mais demora pra chegar seu turno e jogar os dados, mais excitante fica e ao olhar pra aquele par de pernas e sorrisos do meu lado, imaginando que no meio de todo aquele universo coberto por tecidos de saias,casacos, cheiros, pele e cabelo, que aquele mar de libido e mistérios escondidos poderia passar por entre os meus dedos e língua era o suficiente pra manter minha paciência e não despí-la ali mesmo, pra inveja de muitos e espanto de outros. Foram dias e dias assim, na calada da noite, sem saber muito o que dizer, olhando um pro outro na porta de sua casa dentro do carro, esperando um aperto mais forte, um beijo mais molhado que nos deixasse mais molhados, ate um dia ela resolver quebrar o silencio e dar lugar as nossas intimidades (ela cansou da minha espera e eu me envergonho por isso sim)  e o seu gingado tomou conta do meu corpo a começar pelo meu colo e o encaixe das pernas,  foi o encontro de poros e pudores e transpirações e cheiros, livres de roupas, timidez, tecidos e acessórios dos quais citei antes. E naquela dança de gestos e sons, dentro dela entrando e saindo eu podia ouvir que o sangue em nossas veias corria mais forte, a pulsação corria rapida e densa, sobre pressão em nossos orgãos vitais e genitálias, isso mesmo “genitálias” ponto final.  E no final de uma noite tímida  eu pude dizer entre meus pensamentos “você é minha”.

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e dela tirei os belos “olhos grandes”

os olhos grandes se foram,  tiraram sua paciencia das costas e a jogaram no lixo, os olhos grandes fizeram tudo o que podiam, derramaram lagrimas as escondidas a um tempo atras, franziram o cenho frente a mim ajoelhado e não titubearam,  e que paciencia tiveram os olhos grandes. Carregaram em si o silencio de não poder fazer nada além de esperar, sorriram quando lampejei fios de esperança por recados escritos, brigaram até quando não mais aguentaram tanta inatividade. Os jovens olhos grandes me ensinaram muito, confiaram muito em mim, e eu os desapontei, os furei friamente com duas pontas,  sem nenhum receio, deixei os cegos muitas vezes, por capricho proprio, tapei os da minha arrogancia, os belos olhos grandes me mostraram que sou bem menos do que imaginava e que não sou o pseudo revoltado ouvindo let it bleed regado a jim beam. Os bons e jovens olhos grandes estão menores, estao diminuindo, cansaram de tentar enxergar ao longe da highway os faróis da minha falsa harley, os olhos grandes estão serenos, tranquilos, teem consigo a certeza da consciencia limpa.